Tuesday, September 7, 2010

Macrobiótica não é dieta nem é universal, diz especialista

Postado por Navii em 29 - janeiro - 2010


Por Ernani Franklin

Partindo do pressuposto de que a abordagem macrobiótica da alimentação não é nem nunca foi proibitiva, é importante distinguir como se enquadra a alimentação, dita macrobiótica(que já não é mais macrobiótica e sim micromacrobiótica) nos seus dois aspectos:

Para fins terapêuticos específicos em problemas de saúde, que seleciona alimentos específicos em proporções específicas para efeitos de desintoxicação e revitalização fisiológica, procurando melhorar a qualidade do sangue e sistemas orgânicos.

Neste caso a ênfase é nos grãos, cereais, e vegetais com mínimo ou nenhum alimento de origem animal.

Para fins de nutrição, desenvolvimento orgânico e preservação da boa saude, que permite um leque maior de opções alimentares selecionados de acordo com a região, o clima, as disponibilidades da pessoa, buscando um certo nível de harmonização com o ambiente onde se vive.

Neste caso as proporções podem variar de pessoa a pessoa, a depender do ambiente e do clima, com uma certa proporção de proteína animal de qualidade e frutos da região, porém evitando alimentos muito processados e artificiais.

A abordagem da “macrô”  foi e sempre será “regional”. Nunca houve uma macrobiótica internacional, nem tampouco um padrão ou uma doutrina universal. O princípio filosófico que orientou a macrobiótica de George Ohsawa é regido pelos dois aspectos Yin-Yang da energia da natureza que sugere esta adaptabilidade, interatividade e complementariedade antagônica entre calor e frio, dia e noite, masculino e feminino, macro e micro cosmo, luz e escuridão, global e local.

Outro aspecto a considerar é que é difícil, senão impossível, alguém ou um dono de restaurante, seja “macrô” ou “vegan”, estimar qual parte do seu público segue ou não os princípios filosóficos que permeiam tal ou qual estilo de se alimentar. Quem poderia dizer o grau de envolvimento das pessoas com doutrinas ou filosofias?

Mesmo que haja alguns com firmes propósitos e que procurem respeitar determinado estilo, quem pode garantir ou avaliar que estejam de fato seguindo um caminho adequado para seu organismo e bem estar, e de maneira correta ou aceitável? Não há uma resposta fácil. Há quem vá a um restaurante natural por curiosidade( a convite ou sugestão de alguém), ou por questão de saúde momentânea, talvez simples relação de custo-benefício para alguns, outros por não poderem adotar cozinhar em casa, outros por mudança de consciência, outros por convicções ideológicas, ecológicas ou filosóficas, enfim, um público bastante e cada vez mais diversificado.

Apenas a própria pessoa é capaz de apreciar e colher os benefícios de uma prática criteriosa no âmbito da higiene alimentar. Se a pessoa estiver se harmonizando com o ambiente e as pessoas, mantendo bons níveis de saúde, vitalidade e contentamento, “possivelmente” encontrou um bom modelo de higiene que atenda às suas necessidades.

Caso contrário, se ela continua desarmonizada consigo e com o entorno, recorrentemente apresentando disfunções e problemas de saúde, oscilações de humor e comportamento, é claro e evidente que precisa de auxílio e que deva buscar aprimorar sua higiene na alimentação. Porém não tão somente no alimento físico, como também no alimento sutil, nas demais energias da natureza, no cultivo dos sentimentos e harmonia das emoções, nas mudanças de hábitos prejudiciais, na procura de objetivos superiores de auto-desenvolvimento e auto-preservação.

Todos estes aspectos estão compreendidos na verdadeira abordagem macrobiótica segundo a filosofia da medicina oriental( não confundir com modismos e dietas alternativas passageiras, nem tampouco com radicalismos sectários de alguns).

Muita gente pensou e continua achando que a abordagem macrobiótica é simplesmente dietética. Outro motivo de preconceito e evidente falta de entendimento. Esta abordagem é primordialmente auto-educativa desde sua proposta original(v. Macrobiótica Zen - G. Ohsawa - obra pioneira nesta abordagem traduzida em língua ocidental))

Sobre a questão dos temperos vale considerar que o uso dos condimentos e ervas aromáticos sempre é importante no aspecto da fitoterapia. Apenas o que se procura evitar quando uma pessoa tem certo problema de saúde é o excesso e abuso de determinados condimentos prejudiciais. Isto ajuda que ela recupere, inclusive, sua sensibilidade gustativa e olfativa que fica prejudicada quando se abusa de temperos e sabores fortes.

Portanto, daí a utilidade de alimentos e receitas mais simples, inclusive abstinências e jejum quando for necessário, como forma de desintoxicar, reorganizar a energia e recuperar o organismo de forma eficaz. Estando claro que uma vez que o organismo consiga se revitalizar é considerada a possibilidade de voltar a se alimentar de forma mais ampla e abrangente, evidentemente sem retornar com hábitos prejudiciais. Isto vai depender muito de cada pessoa, idade, condição energética, ritmo de vida etc.

(*) Ernani Franklin é naturista, consultor alimentar e mestre em Tai Chi

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