Mostra reúne fotos sobre cotidiano de presídio de Salvador
Com curadoria da também fotógrafa Valéria Simões, a exposição “Imagens do Cárcere” retrata o cotidiano de uma unidade prisional da Bahia. São 30 imagens capturadas por uma câmera digital nas dependências de um presídio e ampliadas em papel fotográfico, mostrando particularidades e objetos dos detentos.
Thereza Coelho mostra por meio de suas fotografias o interior de celas com de imagens de cômodos, utensílios, objetos pessoais, retratos recortes e lembranças. As imagens coletadas revelam identidades criativas por meio de pinturas, colagens e instalações naturais que compõem um universo totalmente reservado a um mundo muito interior como um complexo prisional.
“Imagens do Cárcere” vai de 22 de janeiro a 28 de fevereiro na Galeria Arcos (Caixa Cultural) abrindo oficialmente o calendário de exposições do espaço da Caixa Econômica, de Salvador.
O acesso é gratuito, sempre no horário das 9h às 18h, de terça a domingo. A abertura para convidados e imprensa acontece no dia 21 de janeiro, às 20h.
“Para fazer as imagens, adentrei com a minha câmera em postos e acomodações dos internos na companhia de um agente de segurança prisional, fazendo rapidamente os meus registros, já que as instalações iriam entrar em reforma a qualquer momento e tudo iria ser reconstruído”, conta Thereza Coelho. “Eu sabia que contava apenas com a possibilidade de fazer este ensaio nessas condições, já que, a partir do início da obra, paredes, objetos e marcas pessoais dos detentos iriam ser removidos, deixando em seu lugar um ambiente anônimo, seco e impessoal”, observa a fotógrafa.

“A fotografia tem um enorme poder de síntese e poesia. Imagens do Cárcere nos faz navegar por um universo particular de homens privados de sua liberdade, que buscam a reconstrução de uma parcela mínima de identidade. Thereza nos mostra com muita sensibilidade essas marcas deixadas e acumuladas ao longo do tempo por um contingente de excluídos”, registra a curadora da mostra, Valéria Simões.
A exposição busca ainda chamar atenção para a crescente violência urbana. É sabido que a superlotação das prisões, as más condições de habitação e a precária assistência jurídica, educacional, de saúde e social são elementos que dificultam a reintegração dos detentos à sociedade.
Psicóloga formada pela UFBA com mestrado e doutorado em Saúde Coletiva, Thereza Coelho é professora do novo Instituto de Artes e Humanidades Milton Santos (IHAC). Como fotógrafa, ganhou concursos nacionais a exemplo do V Salão Nacional de Arte do SESC Amapá e III Concurso Fotográfico Sérgio Buarque de Holanda “Brasil: mostra tua cara”. Thereza Coelho já participou de 11 salões e 33 exposições coletivas em Salvador, Maceió, Recife, São Paulo, Curitiba e Macapá, dentre outras.
Por Arthur Andrade
Com clipping Navii
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