Não é Dalila, não é Fantasmão, não é o Kuduro. A maior ousadia do Carnaval de Salvador é a TVE. Afinal, 60 horas de transmissão da festa não são para o bico de qualquer um, sobretudo qualquer um sem a tecnologia no pico. Daí a ousadia. Mas é importante , também, destacar a vontade férrea em transmitir “a maior festa de rua do mundo “ armada para levantar a audiência. Por isso, bem ao estilo dos bons estrategistas, a emissora convidou a vizinha do lado para juntar máquinas e técnicos contra os “adversários” comuns. TVE e TV Aratu fizeram o primeiro pool público-privado do setor em pleno Carnaval. Juntaram 300 profissionais, caminhões, mesas de edição, milhares de metros de fios, luzes, câmeras e ações nos três circuitos da maior loucura de estilos do mundo. Alguém vai desqualificar a iniciativa. Alguém vai visualizar interesses políticos, sucessão em 2010, articulações bem e mal passadas. Alguém mais vai questionar a razão do pool e a determinação em entrar na batalha pela audiência. Ora, tolice é achar que emissora pública não busca audiência. Busca sim. Não é muito bom falar do passado, mas houve um tempo em que falar em audiência nos bastidores da emissora do Irdeb (Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia) era, no mínimo, politicamente incorreto. Audiência é para os outros, não para nós – cansei de ouvir. Buscar audiência implica em abrir mão da qualidade, era outra bobagem repetida pelo passado. Entre 1982 e 1986, a outra emissora do Irdeb, a Rádio Educadora, chegou a 3º lugar de audiência. Mas nós queríamos o primeiro. E a Educadora só tocava música brasileira e tinha 5 quilos na antena – contra 25, 30 das outras! E chegou a terceiro lugar. A equipe evitava falar em busca de audiência, mas trabalhava para isso também. Quando a emissora mudou no “governo da mudança” - perdeu audiência porque mudou demais - voltaram ao discurso da derrota: “Não precisamos de audiência”. Precisa, sim. Precisa encontrar a linguagem para chegar a mais gente possível, para mostrar a cara sem vergonha. E o Carnaval é uma das ocasiões mais propícias para mostrar essa cara. Mesmo errando. A transmissão está repleta de erros. Erros hilários até. A apresentadora chama a repórter na Barra. A repórter entra e chama a apresentadora de volta. A apresentadora devolve a bola para o Campo Grande que não entra. Quando entra a imagem, o áudio está na Barra. Ou imagem na Barra, áudio no Pelourinho. O diretor do Irdeb, o cineasta Pola Ribeiro, deve arrancar os fios da barba e o resto dos cabelos com as barbeiragens. Mas calma Pola, toda ousadia tem seu preço, seus erros e suas noites mal dormidas. Mas uma hora a turma toda acerta. É só uma questão de tempo e de ajustes para os próximos carnavais.
Por Arthur Andrade
2 Responses
[...] cobertura completa - arthur andrade elogia o trabalho duro da TV-E: - a maior ousadia do Carnaval de Salvador Não é Dalila, não é Fantasmão, não é o Kuduro. A maior ousadia do Carnaval de Salvador é a [...]
Posted on fevereiro 24th, 2009 at 6:14
Salve a ousadia, Pola! Porque vocês entram para mostrar a festa não para competir com ela.
Vocês conhecem as esquinas e o suor de cada canto da cidade. Respiram a baianidade. Esfregam-se nos humores da africanidade aspergindo alfazema e felicidade. Com este cheiro de mistério e paixão. Mostram o que vêem não para inventar uma competição ridícula como tem feito a Band, querendo contrapor Pernambuco e Bahia. E tampouco a Globo que não se conforma com nada que não tenha disputa, só falta quererem introduzir um júri farsesco e pseudo-dono da verdade para julgar a espontaneidade a convite do deus espelho: seu abadá é mais feio que o meu, diga espelho meu! Arthur, felicíssimo como sempre no rastreamento do que interessa, no seu comentário para a Navii. A TVE está de parabéns, manda vê, Pola.
Zé Armando Nogueira
Posted on fevereiro 25th, 2009 at 10:18
Add A Comment