Tuesday, September 7, 2010

Archive for novembro, 2009

Por Bob Fernandes

César Benjamin, 55 anos, é ex-preso político e um dos fundadores do PT. Na sexta-feira, 27, Benjamin escreveu um artigo na Folha de S. Paulo e acusou o hoje presidente Lula de ter revelado, em 1994, uma tentativa de estupro dele, Lula, contra um “menino do MEP”. Tentativa que teria acontecido em 1980, quando o então líder sindical Lula esteve preso por 30 dias, e na mesma prisão, com o jovem da organização de esquerda que já não existe, o MEP. César Benjamin cita, em seu texto, uma testemunha, “um publicitário brasileiro que trabalhava conosco cujo nome também esqueci”.O “publicitário” é o cineasta Silvio Tendler, que em 1994 trabalhou na campanha de Lula à presidência da República. De início, afirma Tendler:

- Ele diz não se lembrar de quem era o “publicitário”, mas sabe muito bem que sou eu. Eu estava lá e vou contar essa história…

Sobre os fatos e a acusação, gravíssima, o cineasta, o documentarista Silvio Tendler conta o que viu e o que recorda daquele almoço em meio à campanha presidencial de 1994:

- Era óbvio para todos que ouvimos a história, às gargalhadas, que aquilo era uma das muitas brincadeiras do Lula, nada mais que isso, uma brincadeira. Todos os dias o Lula sacaneava alguém, contava piadas, inventava histórias. A vítima naquele dia era um marqueteiro americano. O Lula inventou aquela história, uma brincadeira, para chocar o cara…só um débil mental, um cara rancoroso e ressentido como o Benjamin, guardaria dessa forma dramática e embalada em rancor, durante 15 anos, uma piada, uma evidente brincadeira…

Veja também:
» Leia o artigo de César Benjamin na Folha de S. Paulo
» Saiba mais sobre a prisão de Lula em 1980
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Silvio Tendler já fez cerca de 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens. Além de vários prêmios é detentor das três maiores bilheterias de documentários na história do cinema brasileiro: “O Mundo Mágico dos Trapalhões” (1 milhão e 800 mil espectadores), “Jango” (1 milhão de espectadores) e “Anos JK” (800 mil espectadores).

Na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, neste 2009, Silvio Tendler lançou o documentário “Utopia e Barbárie”, no qual trabalhou durante 19 anos. Dentre os personagens ouvidos pelo documentarista mundo afora, o general vietnamita Vo Nguyen Giap, que derrotou os exércitos francês e americano. “Giap, o maior general do século XX”, segundo o cineasta.


O ex-preso político César Benjamin (foto Agência Brasil)

Na conversa que se segue, o documentarista Silvio Tendler recorda a história da história de Lula e o “menino do MEP”.

Terra Magazine - Silvio Tendler, é você o publicitário citado por César Benjamin no artigo na Folha de S.Paulo?
Silvio Tendler - Eu mesmo, em pessoa.

Você estava lá? Você, o Lula, o César Benjamin, o publicitário Paulo de Tarso e o tal marqueteiro dos Estados Unidos?
Na verdade eu não me lembro é do César Benjamin lá no almoço (…) e, sim, o publicitário que ele diz não lembrar era eu. E ele, se estava lá, sabe e se lembra que era eu; não tinha mais três publicitários na campanha, portanto ele sabe que era eu quem estava lá…mas eu não sei se ele estava, não me lembro, de verdade, se ele tava na sala. Ele agora diz não se lembrar do “publicitário” porque sabe que eu não iria corroborar essa maluquice, até porque eu vi, testemunhei, a quantidade de erros, de bobagens que ele cometeu durante a campanha…

Ele, César Benjamin?
Ele, Benjamin…por exemplo: já tava tudo perdido, um dos poucos apoios que o Lula ainda tinha depois daqueles erros de ataques da campanha ao Plano Real, era o da Igreja. E de repente o César resolveu botar como pauta do dia o quê?

O quê?
O aborto! Só isso. Esse cara montava e desmontava os programas como se fosse um expert em comunicação… e não era. Me lembro de outra história dele. Tinham inventado uma legislação casuística, criada para segurar o Lula, que tinha feito aquelas caravanas pelo Brasil. Não podia ter imagem externa em movimento… então fizemos um video-clip, eu e minha ex-mulher, a jornalista Tânia Fusco. Ela fez o texto, e eu, com as fotos dele na caravana e outras imagens, fiz, fizemos um clip, uma biografia do Lula a partir de fotos…

E aí?
Aí fui dar aula no Rio de Janeiro por dois dias, o comando da campanha era em São Paulo, e quando voltei o clip estava desfigurado pelo gênio da comunicação. Onde havia poesia o César colocou chavões do tipo “arrocho salarial”…

Por quê?
Porque se acha um gênio, melhor do que todo mundo… peguei meu boné e fui embora pro Rio…

E o César?
Ele continuou com suas trapalhadas. E quinze anos depois ele segue em campanha, agora contra o Lula diretamente. Ele atrapalhou o Lula em 94 e segue tentando atrapalhar o Lula.

Ok, esses detalhes à parte, você estava à mesa do almoço no dia da tal conversa do Lula?
Eu estava lá, sentado à mesa. Eu sou o publicitário “anônimo” que estava lá. O Lula, um cara que foi brincalhão durante toda a campanha, mesmo quando já tava tudo perdido. Eu até pensava “esse cara passa a noite pensando em como sacanear os outros”, porque todo dia tinha uma piada, um brincadeira, uma vítima de gozação… nesse dia o Lula queria chocar o tal marqueteiro americano…

O James Carville era…
O James Carville tinha sido contratado para ajudar na campanha do Fernando Henrique e nós tínhamos o nosso americano também. O Lula brincava: “O americano do Fernando Henrique fez a campanha do Bill Clinton, o nosso americano fez a campanha do Daniel Ortega” (NR: Ex e atual presidente da Nicarágua). Bem, o Carville já tinha ou tava sendo mandado embora da campanha do FHC e a campanha do Lula também ia despachar o “nosso” americano.

E o que aconteceu?
…e aí, nesse dia, o Lula, claramente num clima de brincadeira, tava a fim de sacanear, de chocar o americano com essa história dele “seco” na prisão, todos na mesa, nós todos, sabíamos que aquilo era uma brincadeira, era gozação, sacanagem, e imaginando como seria se fosse traduzido pro cara…

Você tem, teve então a certeza de que era uma brincadeira? Não teve e não tem nenhuma dúvida?
Nenhuma. Era claro, óbvio que era uma brincadeira, mais uma piada, mais uma gozação do Lula, nenhuma dúvida. E além disso a história, a cena toda não teve de forma alguma esse ar, essa dramaticidade que o César enfiou nesse texto melodramático. É incrível essa história… todos sabíamos que aquilo era uma brincadeira, como tantas outras feitas durante a campanha…

As tais “conversas de homem”…
Nem era esse clima “conversa de homem”, era brincadeira, pura gozação, nenhuma responsabilidade, nunca, nunca com esse tom de “confissão” que o Benjamin fez parecer que teve. E você acha que se isso fosse, soasse verdadeiro, todos nós não ficaríamos chocados? Todos ali da esquerda, com amigos presos, ex-presos e tudo mais, você acha que nós ouviríamos aquilo com tom de verdade, se assim fosse ou parecesse, e não reagiríamos, não ficaríamos chocados?

Na sua opinião, que conhece os personagens dessa história, o que aconteceu?
O César Benjamin guardou ressentimentos por 15 anos para agora despejar todo esse rancor. Ele pirou com o sucesso do Lula. Ele transformou uma piada num drama, vai ganhar o troféu “Loura do ano”.

O Paulo de Tarso estava lá?
Estava. E estava o americano… pensa só uma coisa: você acha que o Lula, logo o Lula, tão pouco esperto como ele é, em meio a uma campanha presidencial, vai chegar na frente de um gringo que ele mal conhecia, um gringo que vai voltar pro país dele e contar tudo o que viu, você acha que o Lula vai chegar pra um gringo que nunca viu, na frente de testemunhas, e vai contar que tentou estuprar alguém? É, foi óbvio, evidente, que aquilo era gozação, piada, brincadeira, sem nada desse drama todo do Benjamin de agora… rimos e ninguém deu a menor importância àquilo…

Você, um cineasta, um documentarista que viveu a cena, relembrando-a quadro a quadro, o que verdadeiramente pensa, o que diria hoje?
O Lula adorava provocar… era óbvio para todos que ouvimos a história, às gargalhadas, que aquilo era uma das muitas brincadeiras do Lula, nada mais que isso, uma brincadeira. Todos os dias o Lula sacaneava alguém, contava piadas, inventava histórias. A vítima naquele dia era o marqueteiro americano. O Lula inventou aquela história, uma brincadeira, para chocar o cara… como é possível que alguém tenha levado aquilo a sério?

Então…
Isso não tem, não deveria ter importância nenhuma. Só um débil mental, um cara rancoroso e ressentido como o Benjamin, guardaria dessa forma dramática e embalada em rancor, durante 15 anos, uma piada, uma evidente brincadeira…

Fonte: Terra Magazine

Por que Luiz Inácio desagrada Caetano Veloso?

Posted by Navii On novembro - 20 - 2009

Por Marta Peres, professora da UFRJ

Grande artista, não faz falta a Caetano Veloso um diploma de nível superior.  Seus recentes comentários injuriosos a respeito do presidente com a maior aprovação da História do Brasil são   indiscutivelmente coerentes - com sua visão de mundo, com a visão da classe a que pertence, assim como dos meios de comunicação que as constroem incansavelmente, bloqueando qualquer ensaio de questionamento ao seu insistente pensamento único. Ao se referir a Lula como ?analfabeto?, o termo está sendo utilizado de forma equivocada, pois ?analfabetismo? significa ?não saber ler nem escrever?. Imagino que ele esteja se remetendo, de maneira exagerada, ao fato de Lula não ter diploma de graduação, coisa que o compositor  tampouco possui. Esse tipo de exigência não é nem mesmo cogitada ante outros artistas geniais como Milton, Chico, Cora Coralina… Gilberto Gil, ex-ministro do governo Lula, graduou-se, mas não em música…

“Ah, mas eles são artistas…” E não seria a Política uma arte? Um  pouco de Platão e Aristóteles não faz mal a ninguém…

Quanto à suposta “cafonice” de nosso presidente, situado na revista  americana Newsweek em 18° lugar entre as pessoas mais poderosas do  mundo, Pierre Bourdieu (1930-2002) nos traz uma contribuição preciosa. De origem campesina, como Lula, o sociólogo francês criou conceitos

que desmoronam o velho chavão do “gosto não se discute”. Para  Bourdieu, não só se deve discutir, como estudar, compreender, aquilo que se trata de, mais que uma questão de “classe”, uma questão de  “classe social”. Além do enorme abismo do ponto de vista propriamente

econômico, os “gostos diferenciadores”, referentes ao “estilo de vida”, consistem na maior marca de violência simbólica e num fundamental instrumento de legitimação da dominação das classes

dominadas pelas dominantes. Não somente é desigual a distribuição de  renda numa sociedade dividida em classes, mas também o acesso à  educação formal e informal - o hábito de freqüentar museus,  espetáculos de teatro, música, dança - à sofisticação do vocabulário,  às regras de etiqueta, à constituição da apresentação pessoal, dos  “modos” e atitudes corporais. Obviamente, alcançar maior poder aquisitivo não possibilita a aquisição desse “capital cultural” adquirido ao longo de toda uma vida no convívio com “outras pessoas elegantes”, ou seja, com a “elite”. Uma expressão precisa para  designá-las, utilizada corriqueiramente na Zona Sul do Rio, é “gente

bonita” - como sinônimo de portadores de determinadas marcas de classe  evidentes pelo vestuário, linguajar, cabelos, corpos, modos, atitudes.  Bourdieu demonstrou os aspectos, às vezes despercebidos, da  “construção social” do gosto, seja o gosto de Caetano, das elites, dos

que gostariam de ser elite, pretendendo se distinguir da massa supostamente “inculta”. Em outras palavras, as classes às quais  pertencemos determinam, em grande parte, nossos critérios

aparentemente inatos do que vem a ser elegância, numa relação de  constante imitação, pelos “cafonas”, dos considerados detentores dos  critérios de julgamento estético.

Lula não segue a corrente dos imitadores: mantém-se fiel à cafonice  que o identifica com suas origens populares. Ah, como isso incomoda… Embora seja assistido desde tempos imemoriais, lembrando que Norbert  Elias estudou como a nobreza francesa era imitada por suas congêneres

do resto da Europa no Ancien Régime, aqui, no Brasil, o fenômeno da  distinção alcança as fronteiras do “nojo”, das reações fisiológicas  desagradáveis, diante de tudo que possa remeter a atributos das classes populares, tudo que venha do “povão”.

Não é à toa que o REUNI - Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais - que tem como objetivo “criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, no nível da graduação, pelo melhor aproveitamento da

estrutura física e de recursos humanos existentes nas Universidades  Federais” seja alvo de críticas ferrenhas, apesar de vir ao encontro de demandas por mais vagas já presentes nos protestos estudantis da  França e do Brasil há quarenta anos, os quais, aqui, jamais sequer

haviam sido objeto de atenção pelos governos. A demanda por cidadania  e não por privilégios restritos é assunto que dá nojo, dá “gastura”,  como se fala no interior do Brasil. Mas isso são outros quinhentos…

Embora o acesso universal à educação deva ser uma meta, podemos   questionar  “como muitos eminentes acadêmicos questionam” que a universidade seja a única fonte de conhecimento legítimo, sob o risco de repetirmos, em outros moldes, o papel de detentora do saber  exercido pela Igreja Católica Medieval. O que seria de nós sem a  contribuição inestimável de tantos notáveis que por ela não passaram?

Pode-se argumentar, contudo, que o referido compositor não tem  preconceito de classe ou contra a falta de diploma, pois pretende  votar em Marina Silva que, como Caetano, não possui graduação, e que, como Lula, tem origem humilde. (O curioso é que, sendo a candidata à

sucessão de Lula uma economista, dessa vez, a mesma é cobrada por não   possuir mestrado e acusada de ter lutado contra a ditadura militar:  sempre inventarão motivos contrários a políticas públicas que ferem   ideais de distinção de classe). Ao contrário do que parece, os  atributos de Marina caem como uma luva para nossa conservadora classe  média leitora do Globo e da Veja e que jamais se assumirá   preconceituosa: portar a nobre e indignada bandeira da causa verde faz

disparar sua pontuação no quesito “elegância”. Os que se preocupam  ardentemente com a possibilidade de vida de seus netos e bisnetos são  tocados em seu íntimo pelas questões ligadas à salvação das florestas.

Só que, mais uma vez, como a História sempre ajuda a enxergar, o  buraco na camada de ozônio  é mais embaixo: a destruição do planeta  é a consequência inexorável de um sistema perverso que nele vem se  instalando há alguns séculos. Ao longo de suas notáveis  transformações, atingiu um ponto em que passou a se dar conta de seu   próprio potencial de destruição e de identificar na preocupação com a  natureza uma boa - e quem sabe, lucrativa - causa.

Do ponto de vista das chamadas “Gerações” de Direitos Humanos, ao  longo dos desdobramentos do capitalismo, a causa ecológica nasceu como  a terceira filha. Enquanto a primeira, a segunda e a terceira gerações  são identificadas com os ideais da Revolução Francesa - Liberdade,  Igualdade e Fraternidade - a quarta, mais recente, relaciona-se a  questões da Bioética e aos movimentos de segmentos minoritários ou  discriminados da sociedade. A liberdade refere-se aos direitos civis e  políticos, chamados de “direitos negativos”, pois limitam o poder  exorbitante do Estado, que deve deixar o indivíduo viver e atuar  politicamente. A igualdade consiste na luta pelos direitos sociais, culturais, econômicos, e demandam uma atuação “positiva” do Estado no  sentido de realizar ações que proporcionem condições de acesso de

todos os indivíduos à educação, saúde, moradia, assistência social,  dignidade no trabalho. Finalmente, a fraternidade esta ligada à  ecologia, à preocupação com o destino da humanidade, irmanada por sua  condição de habitante do planeta Terra.

Como se situaria o Brasil nessa História? Não vivemos mais no tempo de   Marx, das jornadas de trabalho de 18 horas que não poupavam mulheres e  crianças caindo mortas de fome ao redor das grandes máquinas sujas das   fábricas. Hoje, longos tentáculos buscam mão de obra barata como a   planta se dirige à luz do sol e os dejetos  da poluição e os seres  humanos excluídos da participação em suas benesses - são escondidos do  campo de visão dos que têm “bom gosto”. Depois de destruir suas  próprias florestas, os países ricos se preocupam e ditam regras da

etiqueta politicamente correta aos pobres, abraçando a “causa  ecológica” com a mesma eloqüência que ontem defenderam que a “mão  invisível do mercado” traria a felicidade geral. Hoje, uma mão visível  segura imponente a bandeira do orgulho verde. Porém, o corpo do qual

faz parte constitui-se de fome, miséria, doença, condições abaixo de  qualquer noção de dignidade da pessoa humana. A bandeira parece ser de  um médico, mas o sujeito que a segura é um “elegante” monstro. Chega a ser apelativo falar em salvar o planeta tirando de contexto uma causa que ninguém ousará contestar. Mas que tal pesquisar casos concretos de  vínculos incontestáveis entre partidos verdes de diferentes países com os setores mais conservadores das respectivas sociedades? Visualizando  a imagem do monstro, de braços dados com uma chiquérrima Brigitte  Bardot salvando animais, faz todo sentido. A Bela e a Fera…

De modo algum defendo qualquer teleologia e que tenhamos que passar  por fases que os outros já passaram. Nem que os sete anos de governo Lula tenham se proposto a enfrentar bravamente, contra tudo e contra  todos, o capitalismo que domina quase toda a superfície do planeta.     Ninguém falou em Revolução, aliás, não era esse o combinado. Apenas  assisto a um esforço hercúleo de instaurar políticas que ferem o  coração desses mecanismos de violência, real e simbólica, que o  julgamento do que é ou não cafona só vem a perpetuar, no sentido de

minimizar o enorme fosso que separa os que têm e os que não têm acesso  a conquistas históricas impreteríveis do Ocidente, independentemente de obediência a qualquer cronologia, identificadas com os direitos humanos: combate à fome à miséria, acesso universal à educação, à energia elétrica, diminuição da desigualdade ímpar que nos assola. Fraternidade, também quero, mas junto com a Liberdade, e principalmente, o que mais nos falta, Igualdade! Não igualdade no

sentido anatômico, igualdade de condições, junto com a quarta geração.

Não indignar-se com a miséria, agarrar-se ferrenhamente a seus  privilégios, assim como espernear diante de sinais de mudança, faz parte do aprendizado de cegueira, inércia e arrogância por que passam  nossas elites com seu gosto sofisticado. Mas ao contrário de um regime

de concordância geral, o ideal de democracia é caracterizado justamente pela coexistência de opiniões diversas a respeito das  políticas do governo. À insatisfação proveniente de certo campo

ideológico correspondem, certamente, avanços jamais assistidos na  História do Brasil. Com vínculos ideológicos resumidos na figura de  ACM, nutridora de uma ordem social desigual desde 1500, existe uma  indiscutivelmente sincera elite baiana à qual, desagradar, é sinal de

que Lula está no caminho certo!

Inferno Bahia (A Bahia de Gregório de Matos)

Posted by Navii On novembro - 9 - 2009

O estudante Bruno Pedra,  do Instituto de Artes e Humanidades da UFBA. levou nota máxima nesse texto
onde mostra sua visão sobre Salvador Bahia.

“… o baiano é: Um povo a mais de mil, ele tem Deus no seu coração e o Diabo no
quadril
”, nessa música promocional, o publicitário Nizan Guanaes tenta definir a Bahia e seu
povo, mas o ‘que falta nessa cidade cantada? … Verdade!’.

No século XVI, a Bahia (econômica ao menos) praticamente se limitava a Salvador, e usuras, furtos, corrupção e preconceito são habitantes, tão quão Gregório de Matos. Já no século XXI, não é
muito diferente, um estado que pra muitos termina em Itapuã, onde a ambição e o
furto (por pobres ou ricos) andam de mãos dadas, e o preconceito ainda existe.

Mas o que escreveria o Boca do Inferno se pudesse ver a Bahia de hoje? Um estado levado a “Panis et Circenses” da tropicália ou dos blocos (oficiais) de carnaval, pois claro, é necessária a separação de classes até para o pão e circo. O Rio Vermelho é pão e circo intelectual, enquanto o Psirico diverte o ‘povo’ em algum canto de Salvador, Amargosa é só São João e Cachoeira é o samba de roda, nessa Bahia que só é Carnaval.

Uma Bahia tipo exportação, agora sim literalmente vendida. Uma baianidade que se limita a acarajé, capoeira e carnaval, como colocado por Milton Moura em suas discussões sobre a identidade baiana. Gregório diz: Por mais que a fama a exalta, uma ‘cidade’ onde falta Verdade, Honra, Vergonha”e esse trecho, inserido no contexto atual, serve justamente para reafirmar a visão de uma Bahia além do belo, que por mais que só se retrate essa baianidade limitada, ainda vai existir um estado e um povo maiores que
isso, com suas belezas e problemas.
Este estado é sim belo, mas em suas mais variadas formas, Chapada Diamantina, Sertão, as diferentes praias,E o Carnaval pode ser visto como reafirmação de alguns valores baianos colocados por Gregório, se a Bahia só é ‘Bahia’ no Carnaval, então talvez seja verdade que “dous ff compõe essa ‘cidade’ … um furtar, outro foder”.

Bruno Vasconcelos Rodrigues Pedra


Parte do acervo da Fundação Cultural do Estado da Bahia acaba de ser digitalizado pela Navii. Na primeira etapa, cerca de 70 horas de arquivos de vídeo e áudio foram remasterizados para ambiente digital - CD e DVD.  O material reuniu documentários, entrevistas e gravações musicais inéditas anteriores a 2004.  São trabalhos de músicos regionais, grupos folclóricos e personagens da cultura popular do Recôncavo e do sertão baiano, além de Salvador.  As gravações corriam risco de se perder com ação do tempo.