Tuesday, September 7, 2010

Archive for julho, 2009

Pegue uma embalagem de biscoito, leia o rótulo…

Pegue uma embalagem de biscoito em sua cozinha e dê uma lida no rótulo. Você conhece a origem e a função de todos os ingredientes? O jornalista americano Steve Ettlinger também não sabia, mas viajou o mundo para descobrir e relatou tudo no livro Twinkie, Deconstructed (Twinkie, Desconstruído, sem edição brasileira). A ideia surgiu durante um piquenique com a família. Seu filho perguntou o que é o polissorbato 60: “Dá em árvores?” Ettlinger não soube o que responder e decidiu descobrir e compartilhar esse conhecimento com outros consumidores. Foi pesquisar a origem de todos os ingredientes do famoso bolinho recheado Twinkie, vendido há mais de 70 anos nos Estados Unidos. Em alguns casos, a origem está em refinarias de química cuja localização é protegida por leis antiterrorismo. Noutros, nas fazendas de milho e soja do Meio Oeste americano. (Ah, sim: o polissorbato 60 de certa forma dá em árvores. Trata-se de um polímero derivado de milho e óleo vegetal. É um emulsificante: faz com que a água e a gordura se combinem. No caso do Twinkie, sua função é substituir a capacidade estabilizante dos ovos e do leite, que ajudam no crescimento das massas.)

Você continua a comer Twinkies depois de conhecer seus ingredientes?
Não. Estou muito mais interessado em alimentos locais e integrais. É claro que eu já conhecia essas opções. Vivi na França por um tempo e trabalhei como cozinheiro, então eu gosto de comida de verdade. Mas agora definitivamente é algo de que preciso em minha vida. Após escrever o livro, fiquei ainda mais fã dos agricultores locais.

A comida processada é mesmo tão ruim para nós?
Essa pergunta exige uma resposta muito longa. O termo “comida processada” é amplo e pode designar muitos tipos de comida. Qualquer coisa salgada, como o bacalhau, é processada. Qualquer coisa cozida é processada, na verdade. Além disso, nós precisamos de alimentos industrializados para viajar. É por isso que a comida processada tem nos acompanhado por eras. É por isso que as pessoas inventaram o salgamento e a defumação. Isso nos deu maior liberdade de movimentação e é o que nos permitiu chegar ao século 21. No entanto, creio que há um problema quando as pessoas consomem muita comida de conveniência, especialmente salgadinhos e doces, porque elas não fornecem boas calorias, estão repletas de gordura, sódio e açúcar. O consumo desse tipo de “bobagem” deve ser diminuído. Outro ponto problemático é o grande aparato industrial necessário para produzir os ingredientes desse tipo de comida. No livro, eu exploro a origem de todas essas coisas e descubro que a maior parte da comida industrializada é feita com ingredientes que vêm de grandes petroquímicas e fábricas de químicos básicos. Veja só: 14 dos 20 produtos químicos mais usados nos Estados Unidos fazem parte direta ou indiretamente da receita do Twinkie.

Por que isso é ruim?
Primeiro, esses alimentos dependem de produtos químicos vindos do petróleo. A alta do preço do petróleo é um problema, mas não só: um dia, ele vai acabar. Segundo, esses produtos químicos são usados para produzir soja e milho, os principais ingredientes dos alimentos industrializados. De fato, oito dos ingredientes do Twinkie vêm do milho. Terceiro, é um problema depender da soja, que é importada, grande parte dela do Brasil, inclusive. Se esses produtos dependem de insumos que se tornarão mais caros ou mais raros no futuro, isso é um problema. Além disso, esse tipo de produção extensiva tende a degradar o solo. Provavelmente seria melhor para todos se usássemos menos químicos para produzir comida. Nós pagamos subsídios com nossos impostos, especialmente à indústria petroquímica, para fazer herbicidas, pesticidas e fertilizantes, que permitem produzir essa comida e vendê-la com o apoio do governo a preços artificialmente baixos.

No livro, você afirma que diretores e funcionários do setor não quiseram dar declaracões. Por que a indústria alimentícia é avessa à transparência?

Acho que eles tiveram muitos problemas no passado com pessoas apontando quanta ajuda o governo oferece a essa indústria e o quanto a comida produzida é ruim para a saúde, em contrapartida. Eles também sabem que, mesmo incentivando o consumo de novos produtos, como barras de cereais, aparentemente bons para a saúde, na verdade você pode comer castanhas e frutas e ficar bem satisfeito. Comida fresca não dá dinheiro para a indústria alimentícia. Então, a única maneira pela qual eles podem fazer dinheiro é adicionando algo pelo qual se tenha de pagar, como uma embalagem atraente. Veja os flocos de milho. As empresas ganham muito mais vendendo cereais matinais do que vendendo milho. Então, quanto mais nós discutimos e aprendemos sobre isso, pior é para a indústria. Não vale a pena para eles informar o consumidor.

Os governos estão fazendo esforcos no sentido de informar o cidadão sobre a alimentacão?

Esse será um ponto interessante a observar com o nosso novo presidente. Ele está recebendo muita informação de pessoas que, como eu, estão envolvidas em educar o consumidor sobre comida e alimentação saudável. Em particular, pessoas que promovem o consumo de alimentos integrais e produzidos localmente, frutas e vegetais e assim por diante. Há gente pedindo a ele que plante um jardim orgânico no quintal da Casa Branca. Algo assim não aconteceria no governo Bush nem aconteceu em outros governos. Nixon e Reagan fizeram tudo o que puderam para dar apoio através de leis e dinheiro a grandes companhias de processamento de milho e soja. Essas companhias, por sua vez, encorajaram os agricultores a plantar apenas um ou dois tipos de grão em fazendas enormes. No passado, as fazendas produziam diversos tipos de vegetais e frutas. Alguns agricultores estão voltando a fazê-lo. É nesse sentido que Barack Obama ajudará a mudar o envolvimento do governo americano na agricultura. Por sinal, temos um ministro da agricultura, mas há um movimento para mudar o título da pasta para Ministro da Alimentação e Agricultura. Acho que essa é uma grande ideia.

Qual foi a reacão de seus filhos quando você explicou a eles de onde vem o polissorbato 60?

Na verdade, eles nunca gostaram de Twinkie. Em todo caso, eles não ficaram nada animados com os processos industriais envolvidos. (risos) Acho que, sem ter de treinar muito, eles sempre vão preferir comer uma maçã ou um iogurte no lugar de uma bobagem dessas.

LIVRO Twinkie, Deconstructed, Steve Ettlinger, Penguin/USA

Clipping Navii.

Fonte: “Vida Simples”, Abril.com

Warner Music é a última a negociar acordo com YouTube

Posted by Navii On julho - 21 - 2009

A Warner Music, terceira maior gravadora do mundo, ainda está em processo de negociação com o site de vídeos YouTube para licenciar clipes de seus artistas, apesar de todas as outras grandes gravadoras já terem renovado seus contratos.

A EMI Music , a menor das quatro grandes gravadoras, renovou discretamente seu contrato com o YouTube em fevereiro, logo depois da Sony Music Entertainment e à frente da Universal Music Group, unidade da Vivendi. A Universal Music, além de renovar seu contrato com o YouTube, também anunciou planos mais amplos de fechar uma parceria com o YouTube para a criação de um site exclusivo para vídeo clipes chamado Vevo. O site deve ser lançado ainda este ano.

Já a Warner Music, que, ironicamente, foi a primeira grande gravadora a fechar um acordo com o YouTube, está agora sozinha na sua demora para renovar a parceria com o site.

Clipes de artistas da Warner, como Madonna e Green Day, foram retirados do youTube em dezembro último após tentativas frustradas de ambos os lados para chegar a um acordo sobre os termos financeiras das licenças de direitos autorais.

Duas fontes com conhecimento das discussões entre a Warner Music e o YouTube afirmaram que, enquanto as negociações continuam em andamento, não há expectativa iminente de pronunciamento de ambas as partes.

Como presidente-executivo da única empresa de capital aberto entre as grandes gravadoras, a Warner Music, Edgar Bronfman tem grande interesse em conseguir melhores condições no acordo com o YouTube. Ele também enfrenta um momento especialmente difícil no mercado de música, que tem sofrido com a queda nas vendas de discos e com a lentidão no crescimento das vendas de música digital.

Fonte: Reuters

20/07/2009

Malagueta: Moda apimentada como Márcia Cavadas

Posted by Navii On julho - 20 - 2009

marcianamuito-cores

“Não faço a roupa da novela. Meus desenhos são exclusivos”, avisa logo Márcia Cavadas, a criadora da grife Malagueta (www.malagueta.com.br). Assim, ácida e direta como uma pimenta, ela abre um sorriso, conta que está grávida do segundo filho e diz que está feliz da vida. Aos 34 anos, comemora a consolidação do seu ateliê de moda, transportado para o quintal de sua casa, depois de passar cinco anos entre dois dos principais shoppings de Vilas do Atlântico, em Lauro de Freitas. Formada em Arquitetura, Márcia Cavadas já batalhou em diversas frentes: projetos de casa, produção de eventos e design de uniformes. Mas o lado estilista falou mais alto. “Aos 17 anos, eu fazia minhas próprias roupas”, ela conta, e a mãe, ao lado, confirma. Gosta de formas orgânicas e de Givenchy. Suas roupas - para mulheres e crianças - são feitas com tecidos de Angola, renda-filé, apliques e moldes customizados. Márcia gosta de desenhar de acordo com o corpo e o estilo de cada cliente. É muito observadora e logo sabe se um corte cairá bem ou não em um corpo. Atua, assim, também como personal stylist e, de vez em quando, pede licença para arriscar uma alteração no pedido. “Até agora, ninguém tem me tolhido, não”, diz, faceira, a moça que faz moda para baianos, mas também para paulistas, cariocas e catarinenses.

Texto: Katherine Funkee

Foto: Rejane Carneiro

Clipping Navii: Revista Muito

A Tarde.

19/07/2009

Mariene de Castro abre Concertos Populares da OSUFBA

Posted by Navii On julho - 15 - 2009

marieneeufba De volta, a partir deste sábado, 18, o projeto Concertos Populares da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia (Osufba) vai contar, na sua primeira apresentação do ano, no Farol da Barra, com a participação de Mariene de Castro. A apresentação, marcada para 19h30, vai ter também os novos componentes da Osufba, escolhidos por meio de um processo seletivo feito no início deste ano especialmente para que pudessem integrar o quadro da quarta edição do projeto. Agora, a Orquestra está com 49 integrantes - 22 músicos da formação original, além de 18 bolsistas e 9 músicos convidados.

O concerto terá peças executadas apenas pela Orquestra, como a Abertura da ópera O Guarani (Antonio Carlos Gomes), Bachianas Brasileiras nº IV (Heitor Villa Lobos) e Suíte Vila Rica (M. Camargo Guarnieri), dentre outras.

Na ocasião, Mariene vai cantar Abre Caminho (de J. Velloso, Mariene de Castro e Roque Ferreira), Pout Porri de Nené (domínio público), Ilha de Maré (Lupa e Walmir Lima), É D´Oxum (Gerônimo) e Rosa Morena (João Gilberto). Depois,  vai cantar outras cinco canções acompanhada pela sua banda.

A regência do concerto será do maestro convidado Angelo Rafael Fonseca, doutor em Regência Orquestral pela UFBA, diretor artístico e maestro titular da Orquestra Sinfônica de Itabaiana (SE), Orquestra de Câmara de Salvador, Coro do Teatro Castro Alves e Coro do Tribunal Regional do Trabalho (BA).

Realizado pelo quarto ano, o projeto da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia e Lilás Produções Culturais, levou, de 2004 e 2006, a música erudita para diversas cidades do interior da Bahia, como Vitória da Conquista, Jequié, Juazeiro, Santo Amaro, Lençóis, Paulo Afonso, Ribeira do Pombal e Alagoinhas, além de Salvador.

Fonte: ATarde Online

Clipping Navii

Vende-se um diploma de jornalista

Posted by Navii On julho - 1 - 2009

Vende-se um diploma de jornalismo. Não é muito novo. Tem vinte e poucos anos de uso. Serviu bem até aqui, com ética, respeito e, embora não tenha rendido muito dinheiro, deu pra sobreviver. Mas custou caro. Anos de estudo, noites insones, ralação em horário dobrado, parentes alugados, livros comprados, toneladas de xerox, mensalidades escolares, multas por mensalidades escolares atrasadas (para uns crédito educativo) e até missa e festa de formatura. Por motivo de força maior e profunda precariedade, vende-se por qualquer preço. Aceita-se vale transporte, seguro desemprego ou um cafezinho e pão com manteiga. Também troca-se, sem volta, por um certificado de curso de mestre cuca.

No início, jornalismo não era profissão, era diletantismo. Vindos de outras áreas, principalmente – que coisa interessante – das escolas de direito, os jornalistas não recebiam salários. Os mais necessitados trocavam elogios nas colunas tipografadas por pratos de comida, os remediados bebiam de graça e os abastados faziam de suas palavras a garantia de empregos públicos. O paraíso para os coronéis da época e uma desgraça para o Zé Povão que quisesse denunciar qualquer abuso sofrido.

A profissionalização do jornalismo, principalmente graças aos cursos superiores e à obrigatoriedade de diploma, levou para a redação um outro tipo de postura, deixou claro que literatura é diferente de reportagem, livrou o repórter da contaminação da fonte, criou uma “cozinha” crítica de redatores e editores com salários garantidos  e comprometidos, bem ou mal, com o produto final da informação. Se o jornalista não era totalmente independente, não precisava vender anúncio durante a “reportagem” e tinha por obrigação ensinada nos bancos da academia ouvir os dois lados da questão.

Graças a isso, a este novo jornalismo, a imprensa se fortaleceu, fortalecendo também os meios de comunicação. O país se redemocratizou, escândalos vieram à tona, a sociedade ganhou voz crítica e fiscalização pública. Se a intenção do regime militar era ampliar o controle, a obrigatoriedade do diploma foi um tiro que saiu pela culatra e ajudou a acabar com o próprio regime de cerceamento dos direitos civis.

Isto tudo, todo o avanço e consolidação da liberdade responsável de imprensa, o Supremo Tribunal Federal jogou no lixo ao acabar com a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. É como dar aval para que as redações se tornem terra de ninguém e dar às empresas e aos empresários da área carta branca para contratar capachos, desde que não totalmente analfabetos, por salários aviltantes. E o que fazia a Corte Suprema do Brasil enquanto jornalistas eram presos, torturados e buscavam exílio? E o que fazia a casta togada quando a corrupção tomava conta de todos os níveis de governo? Do seu pedestal, o que fazem hoje para acabar com a tortura, a prisão arbitrária, a impunidade, a imunidade, a intolerância e outras mazelas do país?

Cozinheiro sem ética não lava as mãos, oculta ingredientes, copia pratos, falsifica cardápios

A ameaça é real e o retrocesso pode ser terrível para a sociedade civil. Quando o Supremo simplesmente cassa o diploma de jornalismo, ele se coloca servil do lado das empresas de comunicações, quase todas nas mãos de políticos inescrupulosos e empresários gananciosos. E isto fica claro na Carta ao Leitor da Veja, onde a revista, de forma vergonhosa para seu próprio passado, elogia a fala do ministro do Supremo Gilmar Mendes ao comparar a profissão de jornalista à de chef de cozinha. Cozinheiro sem ética não lava as mãos, oculta ingredientes, copia pratos, falsifica cardápios. Se a escola não torna ninguém mais ético, a ausência dela certamente estimula a ignorância, o oportunismo e a ilegalidade. Se o Supremo quer insistir em sua tese desregulamentadora, então porque não acaba com a casta de direito diplomado dos seus membros e abre aquela casa a todo e qualquer brasileiro que se mostre competente e merecedor de mordomias e salários de marajás, pois seus membros são inacessíveis e insensíveis como tal. Quando o Supremo interpreta a Lei e a Constituição como interpretou, enfraquecendo a imprensa, que é os olhos, ouvidos e, principalmente, a voz da população, ele vira as costas para o povo e se traveste como um dos piores poderes da nação. Um poder formado por intocáveis, sobre os quais nem mesmo o voto soberano do povo influi, uma casta de senhores feudais com seus trajes medievais prontos para definir de modo imperial o destino e o fim de seus súditos. Ave, Gilmar, o senhor e seus pares estão prestes a conseguir o que nem mesmo a ditadura militar conseguiu: criar uma imprensa submissa e desacreditada.

Texto de Diogo Tavares

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