Exposição da fotógrafa aberta na segunda, 20, no Museu de Arte Moderna, reúne imagens insólitas, sem tempo e espaço, numa das melhores mostras de artes plásticas do ano na cidade.
Valéria Simões é uma usina, incansável com olhar inquieto, voraz. Condições necessárias para captar o que poucos vêem e muitos menos enxergam. A exposição “Lugar de Ausência”, aberta segunda, 20, no MAM, trata do indivíduo na relação com o seu entorno, vestígios de sua existência, efemeridade das situações transitórias. Traz o olhar de Valéria sobre paredes descascadas, respingos de pinturas em oficinas mecânicas, sobras de roupas num rio, as bocas do céu, a bola solitária na areia. A mostra no Museu de Arte Moderna, no Solar do Unhão, reúne 30 fotos feitas no Centro Histórico de Salvador e em cidades do interior baiano em nove meses de trabalho, ansiedades, fim de mundo, uffff…enfim, com resultado surpreendente. “Estou muito feliz. As pessoas estão entendendo a mensagem”, disse ela na abertura da mostra, no corre-corre normal, normal. Valéria fez tudo nessa exposição - da idéia original, à concepção de vídeos, molduras, instalações e até à ultima varrição do chão do MAM, na tarde da abertura. “Alguém tinha que varrer, por que não eu que estava ali?”, diz com naturalidade das que botam a mão na massa para o banquete acontecer.
Depois do MAM, a exposição vai percorrer várias cidades do interior da Bahia, sempre seguida de palestras da artista plástica. Visitação no MAM de terça a domingo, das 13h às 19h, e nos sábados das 13h às 21h.
Por Arthur Andrade


